• Marcelo Dieguez

A ÚNICA lição que você precisa tirar do filme Coringa.



Sexta-feira eu vi o filme do Coringa, com o Joaquim Phoenix. Após acabar o filme, eu só conseguia pensar em uma lição:

Se não for pra agregar, não se meta na vida de ninguém! Principalmente se você não conhecer a pessoa.

[O texto contém Spoiler]

Ah, Marcelo, por que você está falando isso?

Porque foi exatamente isso que degringolou mais ainda a vida de uma pessoa que já era problemática e difícil.


Ele trabalhava como palhaço nas ruas de uma cidade quebrada, recebia uma ninharia, morava com a mãe que dependia dele pra tudo, tinha um sonho praticamente inalcançável.. A última coisa que ele precisa são de pessoas para tornar sua vida ainda mais difícil.


Ego: a raiz do problema.

Na minha humilde opinião, e você não precisa concordar comigo, o motivo é o Ego (do latim Eu).


O Ego faz com que nos concentremos apenas no que será bom para nós, no que nos fará feliz, no que nos trará satisfação, desconsiderando completamente o que isso pode acarretar para a vida dos outros.


Não sei se você percebeu, mas em TODAS as cenas do filme que há o bullying com o Arthur, existe:

- Um protagonista: o garoto que pega a placa, o rapaz no metrô, o amigo de profissão no vestiário, o apresentador do programa.

- Uma platéia: os amigos do garoto/do rapaz no metrô, os parceiros de profissão, e a platéia do programa.


Já aconteceu com você? De uma pessoa ser super gente boa com você, agradável.. Mas é só ela se enturmar com outras pessoas para mudar radicalmente e se tornar ofensiva, ríspida e idiota?

Provavelmente sim. E é capaz de você até se reconhecer nesta descrição, assim como eu um dia. Não se sinta mal, ok? O que importa é o que fazemos de agora em diante.


Isso ocorre porque, em grupo, ninguém quer parecer fraco. E nosso instinto mais primitivo, quando nos sentimos acuados, com medo ou encurralado, é atacar para defender nosso EU! Então citamos os defeitos, problemas e deslizes dos outros para mostrar nossa superioridade.


Nós não sabemos nada da vida do outro, e uma simples piada, uma chacota para nós, pode ser a gota d’água para a outra pessoa. E foi o que aconteceu no filme.

Arthur foi piada para os garotos na rua, para os rapazes no metrô, para is amigos no trabalho..

E o que era para ser só mais uma chacota, o vídeo no programa, foi a gota d’água que o destruiu por completo.


Acontece no filme, mas também acontece muito no nosso dia a dia. Quantas vezes fazemos piadas com o outro? E quantas vezes não somos o alvo da piada em um dia horrível e sentimos vontade de brigar com a pessoa para que ela só cale a boca?


Como surgiu este Ego?

Na maioria dos casos, este Ego é desenvolvido na infância. Em casa (com os pais) ou em situações do cotidiano (amigos, professores), a pessoa começa a absorver comportamentos que, aparentemente, fazem dela mais forte, melhor, etc.

Ela enxerga os comportamentos das pessoas que admira e são referências, e passa a copiá-los. E mesmo se esses comportamentos forem abusivos, negativos, ela irá copiar do mesmo jeito.


Por isso que muitas vezes agimos de maneira inconsciente. Esta atitude está simplesmente enraizada em nós, sem sabermos por que estamos fazendo-a.

Se você parar para criar consciência das suas reações, você verá que muitos deles tem a raiz no passado.


Não somos apenas nós que temos problemas

Mas é muito importante termos em mente o seguinte: Se nós não pudermos fazer alguma coisa para ajudar ou melhorar a vida e o dia de alguém, se não somos capazes de levar alguma coisa positiva, o melhor que podemos fazer é deixar essa pessoa em paz para que cuide da vida, dos seus problemas e das suas situações da melhor maneira possível.


Não é porque nós estamos bem, felizes, em paz, que a outra pessoa necessariamente está também. Não é porque você leva brincadeiras na boa que a outra pessoa levará também.

Cada um tem o seu momento atual e muitas vezes nós não saberemos qual é. Por isso é importante desenvolvermos conscientemente a Empatia.


O Antídoto para o Ego: Empatia

A empatia é o oposto do Ego, é quando nós conseguimos nos conectar com o outro, com suas situações e suas emoções. E é exatamente esta característica que tem o poder de quebrar o Ego.


A consciência da Empatia nos dá o poder de pensarmos antes se o que iremos fazer terá impacto positivo ou negativo na pessoa.


Utilizando o filme como exemplo: Ao invés de olhar numa pessoa vestida de palhaço segurando uma placa, uma ótima oportunidade para se destacar no grupo, podemos enxergar uma pessoa que está se esforçando para fazer o seu melhor e pagar as contas.

E se não somos capazes de ajudar, comprar, colaborar ou algo parecido, sigamos o nosso caminho quietos, sem se intrometer na vida de ninguém.

Somente assim, criando esta consciência, sairemos de “Ego” para “Empatia”.

A empatia é um exercício que precisa ser feito diariamente. É como um músculo, quanto mais você exercita, mais se tornará maior e natural em nossa vida.


Teve a deixa para fazer uma piadinha? Se você não souber com quem está falando, se perceber que a pessoa não está legal ou, principalmente, se for de mal gosto/negativa. Não faça. De verdade. Engole. E este o exercício.

Bote na sua cabeça, se é de mal gosto PRA VOCÊ, por que a outra pessoa iria gostar?

E a última mensagem do filme que eu gosto muito e tem a ver com isso tudo que falei é:

Se não tivermos otimismo, se não confiarmos em nós mesmos, a sociedade pode nos destruir.

De agora em diante, crie consciência destes momentos e trabalhe para evitar comportamentos negativos que afetam outras pessoas. Pratique a empatia todos os dias, sempre se perguntando se suas atitudes estão alinhadas com as atitudes que gostaria que os outros tivessem com você. Essa é a chave para não criarmos pessoas autodestrutivas.

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