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© 2020 by @marcelodieguez.

  • Marcelo Dieguez

O "Eu Ideal" e a vida sem arrependimentos.


Se você estivesse em estado terminal de uma doença, você ficaria feliz com a vida que teve? Ou se arrependeria de não ter tentado alguma coisa?


O psicólogo Tom Gilovich publicou uma pesquisa mostrando que o maior arrependimento que temos é “não viver a vida de acordo com nosso Eu-ideal.”


Para entender melhor essa afirmação, precisamos conhecer os 3 tipos existentes de Eu: o Real, o Ideal e o Que deveríamos ser.


Eu Real: este é eu atual, com sua personalidade, suas características e suas habilidades. Em resumo, o Eu de hoje com suas experiências e bagagens.

Eu Ideal: o Eu Ideal é aquela pessoa que gostaríamos de nos tornar. É a nossa melhor versão segundos nossos traços, nossos gostos e desejos. Este Eu está intimamente ligado com a nossa essência, nossos objetivos e aspirações.

Eu Que deveríamos ser: o último Eu é aquele que deveríamos nos tornar de acordo com padrões da sociedade, da etiqueta e das provações sociais. Com características ditadas, exercendo as profissões que a sociedade respeita e admira e com as atitudes e aspirações de senso comum.

Ex.: Devo me manter em forma, ter um relacionamento após a faculdade, me casar e ser bem sucedido cedo e construir minha família antes dos 35 anos.


De acordo com Gilovich, nossos piores arrependimentos são aqueles que nos impediram de viver uma vida mais alinhada com nosso Eu Ideal, aquele que nós gostaríamos verdadeiramente de ter sido.

É interessante que, segundo o psicólogo, nós não nos importamos tanto com as falhas que tivemos, tombos que tomamos e de sermos passados para trás. Estes percalços nós conseguimos superar rapidamente.


Quando paramos para avaliar a nossa vida, sempre iremos avaliá-la nos parâmetros do nosso Eu Ideal, afinal, é nossa maior aspiração. E os arrependimentos que tivermos por não ter alcançado este patamar irão nos acompanhar por toda a vida. Não importa o que você possua e suas conquistas, se elas não estiverem alinhadas com o seu Eu Ideal, elas não irão servir nem de consolo.


Por que então nós não vivemos nossas vidas guiadas para as realizações do Eu Ideal?

Isso se deve por dois motivos: senso de competição errada e os valores de nossa sociedade. Explicando melhor:

Nós vivemos em uma sociedade onde a competição e o sucesso nos é ensinado desde a infância de uma forma binária. Se você ganhou, outro perdeu. Se você perdeu, o outro ganhou. Como ninguém quer perder, entramos neste jogo mesmo sem querer, de maneira forçada.

Eu não sou contra a competição. Aliás, eu sou bastante competitivo. Mas acredito que em relação a desenvolvimento pessoal, a competição tem que ser contra nós mesmos, e não contra os outros. Este é um fator fundamental para não focarmos nas realizações do Eu Ideal.


E os valores da sociedade são as coisas que são importantes para um grupo de pessoas, e que se deixarmos isso nos afetar, provavelmente iremos para o caminho do Eu que deveríamos ser e, cada vez mais, nos distanciaremos do Eu Ideal.


Gary Vaynerchuk é um professor em seguir o Eu Ideal. Em uma de suas palestras, ele contou que, enquanto os amigos estavam dirigindo carrões, usando roupas de marca, ele entregava vinhos para clientes no carro do pai. Mas o que eles não sabiam, era que Gary não estava em um sprint, mas sim em uma maratona. No longo prazo, ele estava montando uma coisa muito maior. Hoje ele tem um patrimônio estimado em U$100 milhões, possui 4 empresas, acabou de lançar uma linha de tênis exclusiva e sua própria marca de vinhos.


Me reconectando com o Eu Ideal?

Não existe uma fórmula correta ou pronta para isso. Até porque o Eu Ideal é único e singular, é de cada ser humano.

Mas uma direção confirmada é o autoconhecimento, nos reconectarmos novamente com nossa essência, sem os ruídos externos que a sociedade nos impõe. “O que você gosta de fazer?”; “O que te inspira?”; “O que você faz com gosto?” e a minha preferida “O que você faria se não precisasse de dinheiro?”


Esse último questionamento é muito poderoso, pois quando tiramos a obrigação do dinheiro, nossa mente consegue remover todos os ruídos atrelados a ele.


Tire um momento para conversar de verdade com você, em voz alta. Algo assim:

"Por que estamos fazendo isso, ao invés do que gostamos?"

"-Ah, cara. É mais fácil. O outro caminho vai ser mais difícil, vai demorar, etc."

"Mas por que é difícil?"


Tente entender a raiz para você poder mudar o jeito como você enxerga sua situação atual e poder mudá-la para alinhá-la a construção do Eu Ideal.


Se você estiver dizendo a si mesmo que está esperando o momento certo ou inspiração, você está mentindo para si mesmo, desculpe. A inspiração vem conforme você vai fazer a atividade.


Como podemos viver alinhados com o Eu Ideal?

Existem duas maneiras para você viver uma vida mais alinhada com o Eu Ideal e, no fim, ter uma vida sem arrependimentos.


A primeira maneira é se dedicar 100% ao Eu Ideal. Isto quer dizer que você deverá tentar viver totalmente voltado para alcançar esse objetivo. As pessoas capazes de fazer isso geralmente possuem uma poupança para sobreviver por um tempo, já que ficarão um tempo sem a geração de renda.


A segunda maneira, e melhor, é se dedicar PARCIALMENTE ao Eu Ideal. Por que é a melhor maneira?

Quando você se dedica parcialmente, além de você continuar com uma fonte de receita, você consegue trabalhar nesta atividade como um Hobby, pelo menos a princípio, até ela começar a render frutos e você conseguir colocá-la como atividade principal da sua vida.

Um outro ponto é que essa maneira também tira muita pressão e pressa do negócio dar certo. Me acompanha aqui!


Quando nós nos voltamos 100% a uma atividade, nós montamos um planejamento para que ela dê certo antes das economias acabarem. Só que existem componentes externos que somos incapazes de controlar, então se acontecer alguma coisa no meio do caminho, iremos ter que lidar com a pressa para fazer dar certo logo, pois precisamos pagar as contas. E isso pode trazer ansiedade e até deixarmos de gostar da atividade que, uma vez, foi o nosso sentido de vida.


Um spoiler: Não será fácil. Se fosse fácil, não teriam feito pesquisas, eu não estaria aqui escrevendo sobre e todos estariam felizes e alinhados com o seu Eu Ideal. Mas este número é baixíssimo. E aqui vai uma dica.

Eu sempre li biografias para aprender as características dos vencedores e também para conhecer sua trajetória. Sugiro que você leia algumas, pois é uma excelente fonte de inspiração. Aqui você encontra boas indicações. E o que eles tem em comum?


Persistência: Nenhum deles desistiu, mesmo quando tiveram vários revezes no caminho. Você precisa ter em mente que podem acontecer diversas coisas, mas mantenha o foco para conseguir passar pelas barreiras.

Disciplina: Se você optar a se dedicar parcialmente, você precisa entender que o seu tempo livre é muito valioso para o seu negócio. A disciplina é indispensável para focar suas energias em seu objetivo maior. Tenha em mente sempre o seu objetivo.

Motivação: Não é do dia para a noite e você precisará ter motivação para continuar o caminho. Alguns dias serão bons e outros ruins. Não se baseie nos dias ruins, pois eles, no início, serão bem maiores do que os bons.


Um outro fato muito importante em buscarmos o nosso Eu Ideal, é que quando realizamos coisas que realmente gostamos e estão alinhadas a nossa essência, a qualidade cresce exponencialmente, pois nós fazemos com mais disposição, cuidado e dedicação. Afinal, enxergamos aquilo como nosso propósito, e não como algo comum. O resto é questão de tempo.


O sucesso é certo? Claro que não! Nada nesta vida infelizmente depende só da gente. Existem fatores externos que não somos capazes de controlar. Mas uma coisa eu te afirmo. É certo que quando você conversar com as outras pessoas, contar suas histórias pros seus netos, você não terá arrependimentos em saber como teria sido se você tivesse tentado. Porque você tentou!


De agora em diante, busque uma conexão maior com o seu Eu Ideal. É ele quem vai desencadear o seu verdadeiro potencial criativo e de execução. Não existe nada mais glorioso que viver a sua própria vida e buscar suas próprias realizações.


PS.: Não há nada de errado em trabalhar se você ama o que faz. Se não, a função do trabalho, segundo um professor de investimentos, é acumular um investimento para você se dedicar ao que realmente faz seu coração bater. A realização do seu Eu Ideal.

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